sexta-feira, 11 de maio de 2018

Reflexões da 7ª Arte...


ELA... um pouco de cada um de nós


Alessandra Leles Rocha


Por mais que a Sétima Arte exerça um fascínio sobre mim, nem sempre e por razões variadas eu consigo assistir a todos os lançamentos disponíveis no mercado. Foi o caso, por exemplo, do filme ELA (Her) 1. Escrito e dirigido por Spike Jonze, esse filme de 2013 que trata da complexidade das relações humanas no campo virtual em tempos da modernidade líquida e seus amores líquidos 2, eu só fui desfrutar agora, cinco anos depois. Ainda bem!
Esse não é um filme raso, um entretenimento banal de fim de tarde. O filme ELA extrai do espectador algo bem mais profundo à revelia de sua vontade: a reflexão sobre nós nesse mundo. Mais do que diálogos, somos convidados a analisar esse discurso, pois “o discurso torna possível tanto à permanência e a continuidade quanto o deslocamento e a transformação do homem e da realidade em que ele vive” 3.
Cientes da evolução cientifico-tecnológica, a qual nós fomos expostos desde a Revolução Industrial a partir do século XVIII, mesmo assim parece nos passar despercebido o nível de impacto que ela exerce em relação à linguagem.
E é justamente nesse sentido que o filme se constrói na figura de um escritor, Theodore (Joaquin Phoenix), alguém que lida diariamente com a linguagem, mas encontra dificuldades para permitir que essa seja capaz de traduzir a suas emoções, os seus sentimentos, a sua relação com o mundo já transformado pela 4ª Revolução Industrial, ou a revolução marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas 4.
Diante da velocidade das transformações é preciso compreender que a essência humana ainda se mantém. Theodore, como qualquer ser humano é repleto de expectativas, de frustrações, de medos, de carências, as quais inevitavelmente o levam a um paradoxo existencial entre refletir por si mesmo ou buscar apoio nas ferramentas tecnológicas de inteligência artificial disponível.  São tempos do choque de realidade entre o virtual e o real.
Segundo o filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Pierre Lévy, ao falar de virtualização não se trata de simplificar a tecnologia como boa, ou má, ou neutra. Ela está presente e afeta as pessoas, a economia, a inteligência, enfim. Portanto, o virtual não se opõe ao real; mas, ao que se entende por atual, ou seja, uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.
Assim, desconfortável na sua realidade solitária após uma separação, cujas conjunturas não se traduzem em uma linguagem compreendida verdadeiramente por Theodore, ele se rende a tecnologia do OS1 – Sistema Operacional 1 de inteligência artificial.
É interessante que para acessar o sistema, dentre as perguntas direcionadas a Theodore está à relação com a sua mãe. Bem, se a inteligência artificial foi criada por seres humanos para atuar na capacidade das máquinas de pensarem como eles, ou seja, terem o poder de aprender, raciocinar, perceber, deliberar e decidir de forma racional e inteligente; essa é uma pergunta bastante pertinente.
Afinal de contas, a família é a matriz identitária da criança, o que significa que o modo como ela é criada tem profundas consequências na estruturação da sua personalidade, na medida em que ao nascer o bebê não passa de uma extensão da mãe. Segundo Gutierrez, Castro e Pontes (2011),
A análise dos fatores que intervêm na transmissão dos afetos é, também, fundamental para a compreensão das diferentes modalidades de vinculação mãe-filho, uma vez que a mulher, ao se tornar mãe, já é portadora de uma história própria e suas vivências infantis poderão ser reativadas no momento em que se torna mãe. Neste sentido, os princípios que compõem a análise da transmissão psíquica, como a importância das relações intersubjetivas, os mecanismos de defesa que sustentam a transmissão de conteúdos não elaborados, a função da transmissão, e as formas de apropriação são assim primordiais para a compreensão mais aprofundada do processo de formação do vínculo mãe-filho. (GUTIERREZ; CASTRO; PONTES, 2011, p.22)
Estabelecido o protocolo técnico, Theodore passa a estabelecer uma relação com o sistema operacional Samantha (Scarlett Johansson). Assim, ao tentar escapar da subjetividade que lhe é tão difícil de conviver, em razão da carência, ele se depara com a virtualização dos corpos, por meio da interação sócio-motora que virtualiza os sentidos. Essa percepção projeta a imagem desse corpo, buscando torná-lo tangível.
A partir de fones de ouvido e aparelhos móveis com câmera, a relação humana das personagens se desenvolve em um processo de transformação tanto para Theodore quanto para Samantha. Os limites entre eles se perdem na própria dinâmica da vida, que independe da tecnologia. Os tempos e os espaços são genuinamente mutantes, daí a dificuldade de conviver, de coexistir, pois eles irão sempre imprimir algo de novo nesse ser humano.
Embora escritor, Theodore só consegue perceber que na leitura e na audição se estabelece uma série de atualizações, de sentidos, quando Samantha lhe aponta tudo isso e destaca a virtualização da memória que suporta tamanho dilúvio informacional.
Desse modo, ELA é um filme que explica um pouco de cada um de nós, quando a realidade demonstra que há uma disposição ao isolamento social, com as relações se tornando mais flexíveis, gerando níveis de insegurança maiores. O universo tecnológico possibilita buscar o afeto, mas o medo de desenvolver relacionamentos mais profundos. Isso faz com que os laços construam relacionamentos (conexões), que podem ser feitos, desfeitos e refeitos; o que significa que os indivíduos estão sempre aptos a se conectarem e desconectarem segundo a sua própria vontade.

Referências


  • ELA. Direção: Spike Jonze. EUA: Warner Bros. Pictures; Reino Unido: Entertainment Film, 2013. 1 filme (126 min), son., color. 
  • Gutierrez, D. M. D.; Castro, E. H. B. de; Pontes, K. D. da S. Vínculo mãe-filho: reflexões históricas e conceituais à luz da psicanálise e da transmissão psíquica entre gerações. Revista do NUFEN, São Paulo, v.3, n.2, dez. 2011.
  • LEVY, P. Becoming Virtual – reality in the Digital Age. Translated from the French by Robert Bononno. New York: Plenum Tradey, 1998[1956]. 207p.
  • ORLANDI, E. P. O Discurso. In: ______. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 2001. p.15-22.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

"I have a dream..."


Martin Luther King (1929-1968) foi um ativista norte-americano, lutou contra a discriminação racial e tornou-se um dos mais importantes líderes dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que mancha a imagem de um país é...

O que mancha a imagem de um país é...



Por Alessandra Leles Rocha




A desigualdade flagrante, na qual os direitos e os deveres dos cidadãos são definidos a sombra de milhões de pesos e medidas.
A justiça atrasada que não faz justiça; mas, só acentua a injustiça qualificada e manifesta 1.
A desassistência dolosa que esfacela os direitos humanos fundamentais.
O desemprego que afeta a dignidade em nível mais aviltante do que a própria sobrevivência.
A fragilidade da educação que ao não cumprir o papel de ensinar, tampouco favorece a construção de uma cidadania forte e consciente.
A deturpação da política, quando a transforma em profissão vitalícia ao invés de mecanismo temporário de representação social.
A reafirmação contínua da corrupção, como status do comportamento nacional, por meio dos precedentes, das prerrogativas, das exceções.
O imobilismo administrativo que fracassou o passado interrompe o presente e nega aspirações ao futuro.
A morte nossa de cada dia que nem ao menos se preocupa com os desdobramentos dessa orfandade social a se instalar.
A incapacidade de se enxergar nação responsável individual e coletivamente. ...
Enfim, para entender essa mancha talvez tenhamos que nos debruçar sobre as considerações do trabalho de Michel Foucault2 a respeito das “estruturas de poder”; pois,  segundo ele, elas são criadas para reprimir e domesticar o corpo social, instalando sutis, mas eficazes formas de sujeição e alienação, a fim de garantir a perpetuação dos privilégios e o controle do poder dos grupos sociais dominantes.


1 Referência à citação de Rui Barbosa – “A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta”.

Lançamento EDUCS

Fonte: Alex Remonato
EDUCS - Editora da Universidade de Caxias do Sul 
Campus-Sede
Fone: 54 3218-2197

           

sexta-feira, 23 de março de 2018

Conheça o livro "Onze história e um segredo: desvendando as lendas amazônicas”.

É com muita alegria que encaminho o livro organizado pela Profa. Me. Taísa Aparecida Carvalho Sales, docente do Curso de Letras Libras, da Faculdade de Letras – FLET, da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, intitulado “Onze história e um segredo: desvendando as lendas amazônicas”.
O link de acesso do livro é https://goo.gl/RDNECC e o contato da professora Taísa é Av. Gen. Rodrigo Octávio Jordão Ramos,1200 - Coroado I, Campus Universitário – Setor Sul (Mini - Campus), Bloco H, CEP 69077-000 - Manaus – AM.