quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Língua, Linguagem... Será que é tudo a mesma coisa?!


  • Linguagem é a capacidade que apenas os seres humanos possuem de se comunicar por meio de línguas.
  • Língua é definida como um sistema de signos vocais utilizados como meio de comunicação entre os membros de um grupo social ou de uma comunidade linguística.

Linguagem e Identidade Social

Segundo Le Page (1980), todo ato de fala é um ato de identidade. A linguagem é o índice por excelência da identidade. As escolhas linguísticas são processos inconsciente que o falante realiza e está associado às múltiplas dimensões constitutivas da identidade social e aos múltiplos papéis sociais que o usuário assume na comunidade de fala. O que determina a escolha de uma ou outra variedade é a situação concreta de comunicação.

A história da colonização do Brasil mostra o processo de formação da nossa língua à luz dos aspectos mais marcantes para a diversidade linguística presente em nosso território, um país monolíngue. Pôr exemplo a língua trazida para o Brasil pelos portugueses conservou-se, nos grandes centros de colonização no litoral, onde havia constante intercâmbio comercial e cultural com a metrópole, bem semelhante à modalidade lusitana, distinguindo-se dela, porém, em alguns traços. Com relação aos vernáculos rurais, observa-se um maior distanciamento da norma portuguesa, pois nessa modalidade, possivelmente, foi mais acentuada a influência das línguas indígenas e dos falares dos negros que vinham para o Brasil dominando ou não o dialeto crioulo que já se instituíra na África, em colônias também portuguesas.

A atribuição de prestígio a uma variedade linguística decorre de fatores de ordem social, política e econômica. Ao longo de toda a história brasileira, o português falado pelas classes mais favorecidas tem sido a variedade prestigiada em detrimento da todas as outras, é a chamada norma-padrão ou língua-padrão, é a que foi eleita como representativa de um país, é ensinada e aprendida na escola. Quando uma variedade de língua é eleita variedade padrão, ela ganha alta condição social (status) e passa a ser instrumento de dominação sobre as demais variedades que passam a ser consideradas inferiores, devido a uma visão preconceituosa, perpetuada de alguma maneira pôr meio das regras impostas pela gramática da língua escrita, que legitima a linguagem padrão como única.

No caso do Brasil, a norma-padrão atual foi determinada pelas mudanças de polos econômicos, políticos e culturais do país e reforçada pelo preconceito que impõe uma suposta superioridade do falar urbano (dos escolarizados, letrados) sobre o falar rural (dos analfabetos ou com pouco letramento).

(Fragmento do artigo Linguagem e identidade social – uma abordagem sociolinguística”, de Tércia Ataíde França Teles - Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal)


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