terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Apenas palavras. Será?!


Apenas palavras. Será?! 

Por Alessandra Leles Rocha 

Em plena pós-modernidade, eu não me canso de perguntar: Se fazer entendido pelas outras pessoas e em diferentes contextos é uma tarefa fácil? Para mim, a resposta é não. Apesar de todos os avanços tecnológicos presentes no mundo, a comunicação ainda persiste repleta de ‘ruídos’ intransponíveis, que se escondem no próprio ser humano.

Um deles é o fato inconteste da Língua ser um recurso vivo, na medida em que faz parte da cultura de um povo, ela está sujeita aos processos de transformação por ele sofridos. Então, ela caminha daqui e dali acomodando as demandas expressas pelos indivíduos, incorporando novos elementos; mas, sem perder à sua própria essência.

Mas, não é por isso que vamos fazer da Língua uma bagunça, não é mesmo? Por isso, existe a gramática para nos fornecer um padrão oficial, uma diretriz a seguir; sobretudo, em relação à língua escrita. O que não significa dizer, que todos são obrigados a seguir à gramática ao pé da letra em tempo integral; mas, entendendo que a Língua naturalmente vai sofrer variações mediante o contexto social ao qual está inserida. Ninguém aplica o mesmo modo de comunicação em todos os lugares. Há um jeito próprio de falar com a família, com os amigos, no trabalho, no clube...

Portanto, há uma contextualização na hora de se comunicar, o que implica no bom senso de perceber o grau de formalidade ou informalidade necessário, inclusive, para que os outros sejam capazes de acompanhar a comunicação. A velha história de ‘falar ou escrever bonito’ não representa em nada o valor da Língua. Aplicar palavras ou ideias que não domina, ou encher de frases feitas um discurso, não torna ninguém um grande orador, um grande erudito. É preciso as palavras corretas para o contexto correto. Nada de criatividades excessivas, de bizarrices fora de hora. O essencial é a clareza e a consciência do seu papel enquanto comunicador; sobretudo, quando se trata do contexto profissional. Para este pede-se além da formalidade essencial, o não esquecimento das especificidades linguísticas próprias de cada área. Se há um padrão normativo na comunicação institucional, ou na comunicação acadêmica, ou na comunicação jurídica, ou na comunicação científica...; então, saber aplica-lo é fundamental. Afinal, a comunicação não deixa de ser o nosso cartão de visitas, a nossa primeira impressão.  

Pena, que nem todo mundo pense sobre isso. Sob o pretexto de um mundo altamente acelerado, a comunicação parece cada vez mais fadada aos limites de caracteres impostos pelo mundo virtual; até mesmo, na comunicação verbal. As mensagens são expressas ou digitadas as pressas e repletas de uma linguagem abreviadamente truncada; como, se a Língua tivesse caído num abismo à parte do seu próprio mundo, em águas turvas de informalidade e incompreensão. É cada vez mais trivial o ‘diz-que-me-disse’ por conta de procedimentos inapropriados para uma dada comunicação. Vão escrevendo, vão falando de qualquer jeito sem pensar, sem ordenar as ideias, sem mesmo considerar quem está na outra ponta do processo. E infelizmente, os erros e os eventuais equívocos, por conta dessa tal ‘instantaneidade’ do mundo pós-moderno, tornam-se mais evidentes; o que não deixa de ‘arranhar’ a imagem do comunicador 1.

Diante de tudo isso, a questão não é ‘censurar’ a comunicação de ninguém, para que se evitem as gafes e os deslizes; mas, ponderar que para uma boa comunicação pede-se reflexão. Pede-se preparação. Pede-se saber o quê, quando e para quem falar. Porque, na verdade, falar de improviso é para poucos; nem todo mundo dispõe de tamanha habilidade e competência para se comunicar por aí. Mas, uma coisa é fundamental: conhecer a língua pátria. Ah, porque isso, isso é obrigação de todo bom cidadão, concorda?!

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