sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cuidado para não derrapar nas curvas da Comunicação!!!


No mundo dos eufemismos...

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Apesar de uma aparente verborragia disseminada, especialmente, pelos meios de comunicação virtual, há uma tsunami de eufemismos vagando pelo ar. Sim, daqui e dali, a comunicação tenta se esquivar de eventuais deslizes, na ordem da ética social, que possam ofender de várias maneiras aos indivíduos. Mas, sabe que isso me preocupa?! É nessa história de ‘parecer bonzinho (ou boazinha)’ para o mundo que se escondem os piores e mais terríveis comportamentos humanos.

O tal do “politicamente correto” tenta mascarar a filosofia do individuo, as suas crenças, os seus valores, os seus princípios; quando, ele sabe que ao manifestar essa ou aquela ideia poderá encontrar oposição e contestação pelos outros. Então, torna-se mais prático ficar em cima do muro, vendo a banda passar e guardando para si, o que ele pensa não encontrar eco publicamente.

Se essa é uma ‘tentativa social de educação’, eu considero ineficaz. Omitir a verdade é sempre prejudicial e, como diz o provérbio, “A mentira tem pernas curtas”.  Aquilo que pulsa mais forte dentro da pessoa, uma hora ou outra vai se externar; afinal, é impossível deter as rédeas do inconsciente. Além disso, a comunicação não se dá apenas pelas palavras faladas ou escritas. O corpo fala na sua totalidade. Veja o exemplo, do chamado ‘sorriso amarelo’, demonstrando o mais completo desconforto na situação.

Para ser “politicamente correto”, para hastear pelas ruas uma bandeira dessa envergadura é preciso estar em pleno acordo com seus próprios valores éticos e morais. Aliás, a começar pelo entendimento da sua própria cidadania e o espaço que ela ocupa e desempenha na sociedade. Para ser “politicamente correto” há de se sair do discurso para a prática; chega, por exemplo, de blasfemar punição aos atos de corrupção nos altos escalões do poder e cometer os seus próprios na trivialidade do cotidiano. Se eles não podem, nós também não.

As palavras, os discursos, podem até se perder no vento; mas, os atos não. O comportamento humano se registra em imagens e essas se eternizam além da própria vontade. Por isso, há quem não goste de ser fotografado. Ou de escrever com vistas à publicação. Ou de se deixar filmar. ...Enfim, manter uma relação estreita e fiel ao “politicamente correto” é uma arte, que pouquíssimos conseguem executar.

Bem, mas tudo isso são reflexões; algo para se pensar. Lembremo-nos de nossa mutante humanidade. Estamos aqui de passagem, mas em pleno processo de evolução. Nossa mente, nossos pensamentos mudam. E não há nada de errado nisso. A questão é entender que se somos assim, não há razões para dissimularmos tal processo através de estereótipos, no caso o “politicamente correto”.

O que o ser humano precisa é desenvolver a sua habilidade de comunicação para uma profícua coexistência com seus pares. Usar o bom senso. Usar a educação. Usar a sensibilidade humana. Usar a ética na condução do seu dia a dia. Comece por colocar-se no lugar do outro, de vez em quando, experimentando (ainda que, subjetivamente) os desafios que isso implica. Lembre-se de que todo “politicamente correto” tem o seu telhado de vidro e pedras não faltam pelo mundo.


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