quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Veja além das imagens,das datas, das palavras... identifique o que vale a pena: o teor da comunicação!!!

Juntos... 

Por Alessandra Leles Rocha 

Cada vez mais me convenço da necessidade de olharmos além dos rótulos e das imagens estereotipadas existentes ao redor. Por isso, resolvi propor esse ‘bate-papo’ sobre a questão da mulher semanas antes da celebração do 8 de março.

Ainda que a motivação fomentadora para a criação desse dia comemorativo as mulheres tenha, de fato, sido muito importante e inesquecível; creio que pouco, significativamente falando, impactou para a igualdade cidadã que todos os indivíduos sobre a face da Terra merecem.

Não sei se encontraremos algum dia, uma resposta biológica satisfatória para fundamentar o entendimento desse processo humano que aparta as pessoas e confere a elas um status de maior ou menor importância; mas, as possíveis explicações oferecidas em outros campos das ciências, na minha singela opinião, não me satisfazem. É como se uma lacuna permanecesse ridiculamente intransponível.

Observando as reações e discursos na ótica ocidental, em relação à presença feminina na sociedade, fico bastante intrigada diante da distorção dos fatos, numa sucessiva manifestação diferenciada de pesos e medidas. Há uma tendenciosidade implícita nesse processo, fazendo com que a sociedade perceba ou não o desprivilegio feminino sobre o globo.

Fala-se muito do fanatismo ideológico-religioso presente em alguns países, o qual submete a condições desfavoráveis de reconhecimento social as suas mulheres, como se isso estivesse mesmo restrito a limites geograficamente bi polarizados, ou seja, os que agem assim e os que agem ao contrário. Mas, será?

O que observo são as formas de estabelecimento da desigualdade em relação às mulheres se diferenciarem nos ambientes ocidentais e orientais; mas, não a sua inexistência. Situações assim, não podem ser classificadas em mais ou menos, pois a inferiorização feminina através da violência física, psíquica ou comportamental deixam marcas irreversíveis no progresso e no desenvolvimento das sociedades.

Sem mulheres não há vida; portanto, não se edifica uma nação. Mas, isso não significa continuar pensando que a elas se resume o papel reprodutivo e ponto final. Como pontua o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

Mas, nem todas as atrocidades cometidas pela raça humana contra si mesma, têm sido capazes de retirar dos seus olhos as travas que a impedem de enxergar o óbvio. Temos vivido em um mundo que acima das fronteiras geográficas ergue muros, ou porque não dizer abismos, entre as pessoas; fomentando gerações e gerações de indivíduos que aprendem a odiar, a menosprezar, a acreditar que uma vida pode e dever ser mais importante do que outra.

Sim, eu sei que esforços de toda natureza têm sido empreendidos para uma ruptura desses velhos e absurdos paradigmas. Juridicamente, politicamente, institucionalmente a sociedade vem comunicando o seu constrangimento, a sua indignação, a sua perplexidade pelo que sofrem milhões de mulheres pelo mundo. Mas isso não basta, não é o suficiente se não partir de uma reflexão consciente de cada indivíduo; despojada de sentimentos pseudo altruístas que se disseminam por aí. Não dá para ser, por exemplo, a favor da Lei Maria da Penha da porta pra fora e ser conivente com a violência doméstica dentro de casa.  Ou achar bonito que uma empresa seja administrada por uma mulher, mas se oponha que ela receba a mais ou o mesmo do que um homem para a mesma função. Enfim...

Chego, então, a pensar que não se trata de uma discriminação de gênero; mas, de desrespeito humano explícito. O que incomoda absurdamente é perceber que o outro, seja ele quem for, pode ser alguém com mais habilidade e competência no mundo. E isso fundamenta, a partir do próprio comportamento das mulheres. Não vejo um engajamento delas efetivo real comprometido em prol da sua dignidade humana.

A opinião entre muitas é reduzir quaisquer reinvindicações cidadãs ao clichê pejorativo de “feminista”; como se o fato de concordar com os ideais políticos, filosóficos e sociais de igualdade de direitos entre homens e mulheres, fizesse delas algo menor ou impróprio, comprometendo até a sua existência social. Romper com as ‘tradições’ que se perpetuaram de séculos em séculos seria cometer um crime e, por essa razão, rechaçar com veemência um posicionamento consciente é a ‘maneira certa’ de preservação da sua sobrevivência; custe o que custar.

Por isso, cheguem aonde chegarem. Façam o queiram fazer. O mundo parece mesmo só depositar a sua fé e esperança nas mulheres que cumprem os ritos ‘preestabelecidos’... o casamento tradicional (homem e mulher), a maternidade, a vida doméstica. Agrada-lhe muito, também, as mulheres que cultivam a prática de diferenciar a educação dos meninos e meninas, perpetuando valores e comportamentos altamente desiguais; que digam as bonecas e os carrinhos.

Como disse o historiador francês Charles Tocqueville, no século XIX, “A primeira sensação que experimento ao encontrar-me na presença de uma criatura humana, por humilde que seja a sua condição, é da igualdade originária da espécie. Uma vez dominado por esta ideia, preocupa-me muito mais do que ser-lhe útil ou agradável, o não ofender nem ao de leve a sua dignidade”. Por isso, é bom ressaltar ainda, que a manutenção de outros estereótipos, tais como ‘Guerra dos Sexos’ ou ‘Luta pelos direitos de...’, também é fora de propósito. Parece simplesmente querer fomentar uma briga formal, com soco e pontapés por aí, como se fosse esse o caminho para uma ‘solução’; só que não há nada a solucionar! Na verdade, há somente a necessidade que um lampejo da consciência humana brilhe para que uma coexistência harmônica e pacífica se consolide. Cada um no espaço que considera ideal, contribuindo da melhor forma para si e para o mundo. Sendo responsável, ético, humano... feliz. 

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