quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Análise identifica fatores que influenciam discursos de deputados federais

Pronunciamentos estão mais relacionados à ideologia, gênero, experiência parlamentar e popularidade do que ao alinhamento do parlamentar com o partido do Poder Executivo

A ênfase dos discursos dos deputados federais em questões econômicas e sociais não está correlacionada ao alinhamento de seu partido com a legenda do Poder Executivo, mas sim com a sua ideologia, gênero, experiência parlamentar e popularidade.
A conclusão foi obtida a partir da análise de 127.782 pronunciamentos entre os anos de 2000 e 2015, realizada em pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, pelo cientista político Davi Cordeiro Moreira. O estudo concentrou-se no pequeno expediente das sessões legislativas que, devido às normas mais flexíveis, é usado pelos deputados para divulgar suas atividades e posicionamentos de forma livre por até cinco minutos.
A pesquisa teve a orientação do professor Paolo Ricci, da FFLCH. “Em todo o trabalho foram analisados 281.450 pronunciamentos, realizados em todos os momentos institucionais previstos no Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RICD) entre 5 de outubro de 2000 e 31 de janeiro de 2015”, conta Moreira. “Contudo, o foco principal se deu sobre as falas realizadas no pequeno expediente durante esse período, totalizando 133.650 discursos para a análise de frequência e 127.782 para análise temática.”
A análise da frequência dos discursos foi realizada para cada legislatura por meio de um modelo estatístico que considerou cada orador (deputado federal) atrelado à legenda partidária que o elegeu e à Unidade Federativa (UF) que representa. “Para analisá-la, foram consideradas como variáveis preditoras o gênero do deputado federal, o número de legislaturas de que participou, o percentual de votos recebidos na eleição que lhe concedeu o mandato, a posição ideológica da legenda partidária pela qual se elegeu (esquerda, centro ou direita), o posicionamento político de sua legenda em relação ao Poder Executivo (governo ou oposição) e, por fim, o PIB per capita da UF pela qual foi eleito”, descreve o pesquisador.
A pesquisa aponta que o pequeno expediente é, por excelência, o principal canal de comunicação parlamentar na Câmara dos Deputados, devido às regras pouco restritivas. “Constatou-se que o uso da infraestrutura de comunicação do pequeno expediente varia entre os deputados federais e não há indícios de que seu uso esteja atrelado ao posicionamento de sua legenda partidária em relação ao governo”, observa o cientista político. “O estudo aponta indícios de que o aproveitamento da infraestrutura disponível está atrelado a variáveis pouco relevantes no comportamento parlamentar sob o processo decisório: a ideologia, a senioridade [tempo de casa] e a sua popularidade. Tais variáveis são preditoras dessa frequência de uso da tribuna para comunicação parlamentar.” [...]

Nenhum comentário:

Postar um comentário