terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O desafio de ensinar a cultura brasileira em Kyoto

A experiência de oito professores da Escola de Comunicações e Artes da USP entre estudantes japoneses está registrada no livro “Ponte Cultural”. Sob a organização de Atílio Avancini e fotos de Joel La Laina Sene, a edição traz o relato sensível de ensinar a arte, a língua portuguesa e a história do Brasil. E, ao mesmo tempo, contemplar as cerejeiras e reverenciar a natureza em haicais
São histórias, olhares e impressões diferentes de oito professores da Escola de Comunicações e Artes da USP que viveram e trabalharam na mesma cidade de Kyoto. Em um convênio com a Kyoto University of Foreign Studies (KUFS), realizado entre 2006 e 2015, cada um dos docentes lecionou no decorrer de um ano. Uma experiência que resultou no livro Ponte Cultural: Caminho para intensificar intercâmbio com universidades japonesas. E também na produção de fotos, pinturas, haicais, canções, aforismos que foi reunida em exposições, saraus, seminários e publicações.
A edição está sendo lançada como parte das festividades dos 50 anos da ECA e já está à disposição para consulta nas bibliotecas da USP. “Adentrar o espaço das páginas deste livro é como seguir os passos de cada docente pelos caminhos sinuosos do Japão no jogo simultâneo conflito-encantamento entre  Oriente e Ocidente”, observa o organizador, Atílio Avancini, que foi o primeiro professor a participar do convênio. “O que torna esta obra única, portanto, é a dimensão de ponte cultural pelo relato de experiências didático-pedagógicas de cada autor.”
Os primeiros passos de Avancini em Kyoto não conseguiram chamar a atenção dos alunos até o dia em que entrou na sala de aula com o violão. “Comecei a dedilhar Garota de Ipanema e fui descrevendo a jovem de biquíni em direção ao mar. Os alunos, enfim, ficaram atentos se imaginando sob o sol tropical do Rio de Janeiro”, conta o professor. O clássico de Tom Jobim e Vinicius de Moraes garantiu o ritmo harmonioso das demais aulas e a parceria de Avancini com o professor músico, Shiro Iyanaga. Ambos passaram a compor juntos várias canções. “Eu não sabia que os japoneses gostavam tanto de música brasileira, especialmente de bossa nova.” [...]

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